Bem-vindo à Internet

Introdução

Notícia nos mais variados jornais, reportagem de capa de revistas semanais, citada em debates e entrevistas, cena de fundo de novela das oito: aquele que acompanhou o noticiário nacional em 1995/96 - em rádio, televisão, jornais ou revistas - certamente ouviu falar na Internet. O que antes era conhecido apenas no meio acadêmico, acabou por tornar-se assunto presente em qualquer roda de discussão. "Você está na Internet?" é uma pergunta muito ouvida. E o número de pessoas que respondem "sim" cresce velozmente.

Por que tanto fascínio? Se fizermos esta pergunta a quem já está na Internet, cada um terá uma resposta diferente. Desde "conheço gente de muitos países no ciberespaço" até "consigo informações que preciso para o meu trabalho", passando por "é uma anarquia que funciona" ou "posso conversar com meu filho que está morando no exterior", muitas são as razões de tanto encantamento.

A propósito, quando utilizamos no parágrafo anterior a estrutura desde ... até ... passando por ..., acabamos por fazer uma descrição típica da Internet. É difícil fugir a ela. Quem ainda não ouviu algo como "na Internet discute-se sobre tudo, desde computadores até receitas de bolo, passando por guerras, desenhos animados e biologia molecular" ou que "a Internet possui todo o tipo de usuário, desde ecologistas até ultraradicais de direita, passando por artistas, adolescentes, prêmios Nobel e motoqueiros"? Também é possível dizer que a Internet "abrange desde universidades até grandes empresas, passando por ongs e repartições públicas" e também que "estão conectados desde laptops até computadores de grande porte, passando por micros e estações de trabalho".

O leitor pode estar se perguntando: por que chamamos atenção para isto? A resposta é que este tipo de descrição não acontece sem motivo: a Internet é assim mesmo. Nela encontramos serviços, informações, pessoas, computadores e instituições de todos os tipos.

Possuindo uma organização inédita, este conglomerado internacional de redes de computadores tem sido visto como um meio de revolucionar a relação entre as pessoas. Novas formas de comunicar-se, de agir, de travar conhecimento, de comportar-se estão surgindo. Vencendo a barreira da distância de maneira rápida e relativamente barata, acabou por criar novas e diferentes oportunidades de trabalho e de lazer. A Internet também é vista como uma anarquia, um mundo sem fronteiras, o futuro no presente. Mas não é um mundo isolado daquele em que vivemos: influencia e é influenciado por ele.

Poder presenciar estas mudanças tão importantes que se iniciam é sem dúvida um privilégio. Interagir, envolver-se, contribuir, interceder, enfim, participar delas é um privilégio ainda maior. Sabendo que o leitor é contemporâneo desta revolução, gostaríamos de introduzí-lo neste novo ambiente sob a perspectiva de fazê- lo um net.citizen - cidadão da Internet - consciente e atuante do mundo em que vive.

Público alvo

Este livro é destinado às pessoas que querem ter uma visão geral da Internet e conhecer os princípios mais importantes dos diversos serviços que ela oferece, sem limitar-se a programas específicos.

Elaborado para iniciantes, também poderá ser usado por aqueles que desejam conhecer mais sobre esta grande rede de computadores ou que procuram uma referência para suas dúvidas. De acordo com este objetivo, procuramos explicar os conceitos mais básicos e evitar o emprego da linguagem técnica desnecessariamente. Além disto, cientes da dificuldade de qualquer pessoa em absorver rapidamente muitas informações, optamos por reforçar algumas definições, explicando-as mais de uma vez ao longo do livro. Isto também será útil para aqueles que não estão lendo os capítulos de maneira sequencial, e que, eventualmente, poderiam não entender uma ou outra passagem.

Para estes últimos, aconselhamos fortemente a leitura da introdução da parte II, importante para o entendimento dos capítulos desta segunda parte.

Organização do livro

A maioria das apresentações sobre a Internet aborda dois aspectos: um, que mostra o que é, como surgiu, como se organiza e quem faz parte dela. Outro, que apresenta quais serviços estão disponíveis e como utilizá- los uma vez que estejamos conectados.

Aqui não fugiremos a esta regra: a Internet não é um programa que aprendemos como manipular janelas e menus. Um programa é como uma máquina qualquer, que podemos ensinar como utilizá-la a partir dos procedimentos para operá-la. Mas a Internet é como uma cidade ou um país: além dos inúmeros computadores interligados, ela constitui-se de gente, muita gente. Gente igual a gente, gente diferente da gente e gente muito diferente da gente. A Internet possui uma comunidade própria, com uma história, uma cultura e uma maneira particular de viver. Para participar dela da melhor forma, é preciso compreender isto.

Sob esta perspectiva, o livro é dividido em quatro partes. Na primeira apresentamos um histórico e a organização da Internet, além de conhecimentos técnicos. Mas sabemos que muitos dos nossos leitores nunca trabalharam num ambiente de redes e por isto acrescentamos um capítulo inicial, abordando princípios de redes de computadores.

Embora tenham sido colocadas no início do livro, as informações da Parte I não são imprescindíveis para o entendimento das partes seguintes. Eventuais dúvidas podem ser resolvidas com o auxílio do glossário. O leitor poderá então ler os capítulos 1 a 4 quando julgar mais conveniente.

Em seguida temos a parte II, a maior delas, que apresenta os serviços que estão disponíveis na Internet. Nela enfatizamos os princípios e as características mais importantes de cada serviço, sem nos preocuparmos com programas específicos. A razão disto é que existem inúmeros aplicativos para cada serviço, quase sempre em contínua e rápida evolução: ainda que ensinássemos alguns deles, este estudo ficaria obsoleto em pouco tempo. Sendo assim, os programas usados ao longo do livro devem ser vistos então como meros exemplos dos conceitos abordados e não como uma tentativa de ensiná-los.

Pelo mesmo motivo, evitamos comentar particularidades de um ou outro tipo de computador. Estas serão melhor aprendidas na prática, quando o leitor estiver usando o próprio sistema em que irá trabalhar.

Ainda nesta segunda parte, procuramos mostrar as vantagens e as desvantagens dos recursos existentes, fazendo com que o leitor não espere de um serviço algo que ele não possa oferecer. Um outro ponto que será enfatizado é quanto às regras de etiqueta. Ser iniciante na Internet é como viajar a um outro país e não conhecer seus costumes: frequentemente somos levados a cometer gafes que, se mal compreendidas, podem nos colocar em situações desagradáveis.

Na terceira parte, discutimos tópicos que são melhor compreendidos após uma visão geral da Internet: segurança, privacidade e folclore são alguns temas. Também por este motivo deixamos para a quarta e última parte um histórico da Internet no Brasil. Esta foi uma tarefa difícil, uma vez que este livro foi redigido justamente durante o período de transição da Internet acadêmica para a Internet comercial.

Ainda na parte IV acrescentamos um painel sobre como estão conectados os países de língua portuguesa. Sendo a comunicação em outras línguas uma barreira para muitos usuários, a aproximação a outros povos que falem português torna-se natural.

Ao final, apêndices complementam o livro com guias rápidos e informações para consulta.

Uma última observação quanto às referências citadas no livro: aquelas que foram encontradas na Internet estão escritas num formato de endereço eletrônico padrão, explicado no capítulo 15. Alertamos ainda que, devido ao dinamismo da Internet, os endereços destas referências já podem estar desatualizados.

Mantendo contato

Os autores estão à disposição dos leitores para sugestões, críticas e comentários através de cartas à editora ou através da própria Internet, no endereço:

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Rio de Janeiro, dezembro de 1996.
Os autores

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